Sobre nós


CENTRO DE PROMOÇÃO À INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS SURDAS-CINEC

CNPJ/MF: 10.470.962/0001-68

QUEM SOMOS

O CINEC - Centro de Promoção à Inclusão Social de Pessoas Surdas, nós fazemos parte da Associação Jesus de Nazaré que é uma Instituição sem fins lucrativos, religiosos ou político e com finalidade sócio-cultural, assistencial e educacional, sem discriminação de classe, raça ou credo.


OBJETIVOS
As ações propostas tomam por base os valores básicos da igualdade de tratamento e oportunidades, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa humana, do bem-estar, e outros princípios Constitucionais, promovendo ações necessárias para o afastamento de preconceitos e discriminações de qualquer natureza, a fim de garantir aos surdos o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive o direito à educação, ao trabalho e ao lazer.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
No âmbito específico, este centro objetiva:

• Promover ações educativas com parcerias, auxiliando as instituições e entidades parceiras no oferecimento de cursos de libras e no ensino da modalidade escrita da língua portuguesa, como segunda língua, para pessoas surdas.

• Auxiliar na formação de profissionais para trabalhar como professores ou interpretes de libras.

• Promover a expansão destas ações para a zona rural e outros municípios circunvizinhos.

• Apoiar trabalhos de pesquisa que tenham como objeto de estudo questões que dizem respeito aos problemas enfrentados pelos surdos na vida social.

• Promover campanhas de conscientização da sociedade quanto à dificuldade dos surdos com a língua oral e, consequentemente, quanto à necessidade de aquisição da libras por familiares, amigos e quaisquer pessoas que lidem com surdos, bem como a necessidade e direito dos surdos ao auxílio de intérpretes de libras nas instituições educacionais, de saúde, de justiça etc., que atendam a esses pessoas, conforme o Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005.

• Oferecer a famílias de surdos informação e orientação a respeito das questões da surdez, bem como oferecer cursos de libras, para que essas famílias possam interagir de forma plena, sem preconceitos nem rejeição, com seus entes surdos.

• Promover ou apoiar projetos assistenciais para suporte psicológico e/ou fonoaudiológico a surdos e a suas famílias.

• Promover ou apoiar projetos de cultura, esporte, lazer e arte desenvolvidos por surdos.

• Auxiliar surdos em ações jurídicas, junto ao Ministério Público, que busquem a defesa de seus direitos.

Ou seja, este centro objetiva desenvolver atividades que promovam auxílio à acessibilidade e incentivem a divulgação e o debate das questões concernentes à pessoa surda, visando à conscientização da sociedade como um todo.

META

É também meta deste projeto o desenvolvimento de outras atividades em prol da melhoria da vida social dessas pessoas como: promover atividades culturais, esportivas, de lazer e artísticas desenvolvidas por elas e oferecer-lhes auxílio em ações jurídicas na defesa de seus direitos, conforme disposto em leis específicas já promulgadas.

O presente projeto visa, assim, desenvolver atividades que possam oferecer aos surdos recursos que promovam sua inclusão na vida social.

Assim, o sentido de desenvolver um projeto como esse é a existência de problemas concretos para os quais a união das pessoas é a solução mais eficaz para resolvê-los. Somar esforços, vontades e desejos de várias pessoas torna tudo mais fácil e possível de ser realizado. Esse é o fundamento essencial do processo associativo: a soma de esforços proporcionando soluções mais eficazes para problemas coletivos.

Metas específicas:

• Oferecer cursos de libras para surdos, seus familiares e amigos;

• Oferecer cursos e oficinas para pessoas interessadas em desenvolver trabalhos educacionais para surdos ou como intérpretes de libras.

• Produzir palestras e cartilhas informativas como material para campanhas de conscientização da sociedade quanto à problemática da inserção social de pessoas surdas.

• Oferecer suporte psicológico, bem como acompanhamento fonoaudiológico, às famílias de surdos.

• Promover eventos ou atividades culturais, esportivas, de lazer e artísticas desenvolvidos por pessoas surdas.

• Criar uma escola especializada em alfabetização de crianças surdas.

• Oferecer auxílio em ações jurídicas, junto ao Ministério Público, que busquem a defesa dos direitos dos surdos nos diversos setores da vida social.

A Língua Brasileira de Sinais - Libras

De acordo com a Lei 10.436, de 24 de abril de 2002, a Língua Brasileira de Sinais – Libras – é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais a forma de expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Compreende-se, assim, que a Libras deve ser inserida como primeira língua (ou língua materna) desde a infância, tendo como segunda a Língua Portuguesa escrita. Assim, a Lei acima mencionada assegura que “deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais – Libras – como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.”

Essa conquista da comunidade surda brasileira, que resultou na aprovação da Lei, acima referida, decorre do reconhecimento, a partir de trabalhos de pesquisa, do status de língua das línguas de sinais. Estudos recentes têm demonstrado que as línguas de sinais são, como as línguas orais, sistemas abstratos e naturais constituídos por regras gramaticais. Muitas vezes, o que é tratado de maneira diferenciada nessa língua, em relação às línguas orais, o é apenas por uma questão de nomenclatura. É o que ocorre com o que é denominado de “palavra” (item lexical) nas línguas oral-auditivas, que, em línguas de sinais, é denominado “sinal”. Segundo essas pesquisas, a diferença que existe entre as línguas de sinais e as línguas orais está simplesmente no fato de estas últimas utilizarem, em sua expressão, recursos orais-auditivos e as primeiras recursos espaço-visuais.

A Libras é, conforme os pesquisadores, dotada de um léxico próprio e de uma gramática constituída a partir de mecanismos fonológicos (ou quirêmicos) morfológicos, sintáticos e semânticos que apresentam especificidades, mas seguem também princípios básicos gerais, que permitem a criação de um número infinito de construções a partir de um número finito de regras, como qualquer língua natural. Também se observam nessa língua componentes pragmáticos convencionais, que permitem a geração de significados não-literais como metáforas, ironias entre outros. Ou seja, com as línguas de sinais pode-se expressar qualquer coisa que se expressa por meio de qualquer língua oral.

Outro ponto importante a ressaltar é que as línguas de sinais não são universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional. A Libras tem sua origem na Língua de Sinais Francesa. Como qualquer outra língua, ela também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos), o que a legitima ainda mais como língua natural.

Como toda língua, as línguas de sinais utilizam um meio de articulação para expressão física das ideias estruturadas por seu sistema gramatical. Nessas línguas esse meio, que por razões óbvias não é sonoro como na maioria das línguas, se constitui de elementos segmentais que se combinam na formação dos sinais. Os sinais são, assim, formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos, do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos, da direção por onde o movimento se orienta e da expressão facial. Esses elementos, conhecidos como “parâmetros de formação de sinais”, são de modo geral observados nas línguas de sinais mundo afora. As características desses parâmetros são as seguintes:



• Configuração das mãos - São formas das mãos utilizadas na produção do sinal. Essas formas podem representar as letras do alfabeto da língua oral na datilologia (representação das palavras da língua oral por meio de alfabeto manual) ou outras formas, sem nenhuma correspondência com letras do alfabeto de língua oral, feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos.

Ex.: A configuração está presente em sinais como “absorvente higiênico”, “conta” etc.

ABSORVENTE HIGIÊNICO

(cf. LIRA; SOUZA, 2008)

CONTA (cf. LIRA; SOUZA, 2008)

• Ponto de articulação - é o espaço onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.

Ex.: “aprender” e “saber” têm a testa como ponto de articulação.

APRENDER (cf. LIRA; SOUZA, 2008)
SABER (cf. LIRA; SOUZA, 2008)

• Expressão facial e/ou corporal - Expressão produzida somente no rosto e/ou com o envolvimento do corpo, que funciona como um dos traços na identificação do sinal. Há sinais feitos somente com uma expressão facial (casos raros). As expressões faciais/corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal.

Ex.: A expressão facial é um dos traços que distingue as palavras “alegre” e “horrorizado”.

ALEGRE (cf. LIRA; SOUZA, 2008)
HORRORIZADO
(cf. LIRA; SOUZA, 2008)

• Movimento: Contornos retos, inclinados, curvos, circulares, sinuosos etc. que constituem um tipo de movimento específico feito pelas mãos na realização do sinal. Os sinais podem ter um movimento ou não.
Ex.: A palavra “trabalhar” apresenta um movimento das duas mãos para frente e para trás.
TRABALHAR
(cf. LIRA; SOUZA, 2008)
• Orientação/Direção - É a direção do movimento, que pode ser para a direita, para a esquerda, para cima, para baixo etc. A inversão da direção significa, em alguns casos, ideia de oposição, em outros, concordância número-pessoal.

Ex.: As palavras “querer” e “não querer” são sinalizadas com orientação oposta do movimento.

QUERER (cf. LIRA; SOUZA, 2008)
NÃO QUERER
(cf. LIRA; SOUZA, 2008)


Leis e Decretos

Uma série de leis e decretos vem, a mais de duas décadas, procurando regulamentar o reconhecimento do direito à cidadania de pessoas portadoras de deficiência, assegurando a esses cidadãos brasileiros o atendimento a suas necessidades especiais. Cabe à sociedade tornar concreto, real o que está disposto nessas leis. É o que se objetiva a partir do presente projeto.

• Lei 7.853, de 24 de Outubro de 1989. Dispõe sobre o apóio às pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde –, institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes e dá outras providencias.

• Lei 10.098, de 19 de Dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

• Lei 10.436, de 24 de Abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras.

• Portaria 3.284, de 07 de Novembro de 2003. Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências.

• Decreto 5.296, de 02 de Dezembro de 2004. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

• Lei 10.845, de 05 de Março de 2004. Institui o programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência.

• Decreto 5.626, de 22 de Dezembro de 2005. Dispõe sobre a inserção da Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino públicas e privadas, dos sistemas federal, estadual e municipal.

• Lei 9.394 de 20 de Dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases de educação nacional.